O CulinAfro é um grupo de estudos e pesquisa criado em 2014, coordenado pela Profa. Drª. Rute Costa e composto por estudantes, profissionais e professoras das áreas de nutrição, ciências biológicas, saúde coletiva e produção cultural.
Nasce do sonho de tornar a culinária afro-brasileira o prato principal da promoção da alimentação saudável em ambientes domésticos e em políticas públicas de alimentação e nutrição, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Tomamos como nossas referências teórico-metodológicas a cosmopercepção afroameríndia, a educação popular e a contra-colonialidade frente ao discurso sintético do saudável. Além disso, a autonomia culinária, conceito cunhado pela Profª Drª. Mariana Fernandes, como ferramenta para um discurso e prática culinária onde a pessoa é convidada a "pensar, decidir e agir" na cozinha, não só reproduzir uma receita.
Em 2014, início da caminhada, nos deparamos com um silêncio ensurdecedor ou com narrativas distorcidas e estigmatizantes da culinária afro-brasileira. Por esse motivo, investimos em pesquisas. Em 2018, a primeira discente e extensionista, hoje nutricionista Debora Lima, sob orientação da Profa Dra. Rute Costa, investigou a comida de matriz africana da cidade de Macaé/RJ, através das narrativas de mulheres negras macaenses. Descobrimos que as cozinhas das participantes se conectavam com a história da cidade, os locais de produção e comercialização dos alimentos, os quintais e as redes de trocas. Utensílios, técnicas, alimentos e preparações apontavam para uma comida de verdade. Os resultados dessa pesquisa integraram o artigo científico “Culinária, histórias e educação popular: aprendendo das cozinheiras negras macaenses”, Revista Educação Popular.
Ainda em 2018, a também extensionista, hoje enfermeira Giselle Silva investigou as práticas de cuidado das mulheres quilombolas da Comunidade Remanescente de Quilombo (CRQ) Machadinha, Quissamã/RJ, sob orientação da Profa Dra. Rute Costa. Descobrimos um universo singular que relaciona a terra, os seres e os alimentos para a composição do itinerário terapêutico. O trabalho resultou na produção do artigo “Entre folhas e rezas: As sapiências de mulheres quilombolas sobre cuidado em saúde”. In: 31a RBA - Reunião Brasileira de Antropologia, 2018, Brasília.
Em 2018, levamos as preparações africanas e afro-brasileiras para a sala de aula da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e experimentamos a riqueza do processo de educação mediado por uma comida que comunica ancestralidade, pertencimento, cultura, memória e história da população negra. Como resultado, a nutricionista Luana Cunha, elaborou um caderno de metodologias educativas sobre o Direito Humano à Alimentação Adequada.
Em 2019, realizamos uma pesquisa participativa sobre a comida e cozinha quilombola, na escola localizada na CRQ Machadinha. O resultado do trabalho foi registrado no livro Tempero de quilombo na escola.
Atualmente o grupo se organiza em 5 linhas de investigação: